Os fundamentos que compõem a base da Doutrina Espírita foram transmitidos por espíritos através da mediunidade.
Mediunidade é a faculdade que certas pessoas possuem e que lhes permite entrar em sintonia e comunicação com os espíritos.
Para que uma pessoa seja dotada desta capacidade é preciso que o seu perispírito tenha sido devidamente preparado antes que ela reencarnasse. Ainda que os graus de sintonia espiritual sejam variados, para que alguém possa ser considerado médium, a sua mediunidade deve se apresentar de forma ostensiva, ou seja, bastante clara.
Portanto, nem todos os espíritos que reencarnam são preparados e terão condições para actuarem como médiuns de forma ostensiva, porém, todos possuem, ainda que em estado latente, a mediunidade, pois isso é algo inerente ao espírito.
A intuição é o tipo de mediunidade mais comum e, ainda que uma vez na vida e num grau muito pequeno, todos já recebemos a intuição de algum espírito, porém, como ela chega na forma de pensamentos ou sentimentos, é difícil percebermos quando estes são nossos (animismo) ou quando partem de um espírito (mediunismo).
Povos antiquíssimos, como os africanos e os indígenas, praticavam seus rituais, em que o sacerdote da tribo, também conhecido como pajé ou xamã, em sintonia com determinadas forças da natureza, entrava em estado de êxtase profundo (animismo) e outras vezes, tornava-se passivo às influências psicomotoras de algum espírito que através dele se manifestava (mediunismo), trazendo esclarecimentos espirituais e materiais de grande importância para toda tribo. Infelizmente, grande parte destes ensinamentos espirituais foi-se perdendo ao longo dos milênios e do que restou, muito foi deturpado por outros povos colonizadores. Isso aconteceu e ainda acontece com povos e culturas do mundo todo.
Portanto, médiuns existiram, existem e existirão em todas as religiões e fora delas, ainda que estes não aceitem ou não saibam a respeito de sua mediunidade.
A mediunidade pode revelar-se de várias formas:
- Intuição
- Clarividência = ver espíritos
- Clariaudiência = ouvir espíritos
- Psicofonia = transmissão oral
- Psicografia = transmissão pela escrita
- Mediunidade de efeitos físicos = escrita direta, tiptografia, materialização entre outros
DEVE-SE FORÇAR O DESENVOLVIMENTO DA MEDIUNIDADE ?
É um erro grave forçar a mediunidade, sobretudo quando essa faculdade
está em desenvolvimento e requer educação.
Não podemos esquecer que
todos nós temos diferentes tipos de mediunidade e que só através de uma
experimentação cuidada poder-se-à concluir qual é esse tipo e se a mesma,
de facto, existe.
É importante tomar em consideração a explicação de Emmanuel em relação
à questão 384, no livro “ O Consolador”:
- Dever-se-à provocar o desenvolvimento da mediunidade ?
- Ninguém deverá forçar o desenvolvimento dessa ou daquela faculdade,
porque, nesse terreno, toda a espontaneidade é necessária; observando-se
contudo, a floração mediúnica e espontânea, nas expressões mais simples,
deve-se aceitar o evento com as melhores disposições de trabalho e
boa-vontade, seja essa possibilidade psíquica a mais humilde de todas.
A mediunidade não deve ser fruto de precipitação nesse ou naquele sector
de actividade doutrinária, porquanto, em tal assunto, toda a
espontaneidade é indispensável considerando-se que as tarefas mediúnicas
são dirigidas pelos mentores do plano espiritual. “